August 2011
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Para si,
Olhou para o retrato no criado-mudo, mudo:
“Só consigo essa leveza sob seu olhar oliva E meio vermelho de vergonha, deixo que me leve Por uma estrada desenhada em cor viva”
No espelho, a imagem refletida refletia:
“Pele, serena Terás a sua pele pequena Em sua leve e terna terrena?”
Despida de vergonha, despiu-se à sua frente:
“Só consigo essa leveza quando lhe sigo com o olhar E sem perceber,...
Gramática da vida
Toda vez que procuro por palavras, no fundo, estou a me procurar. Frente ao rio, sou sujeito simples, feito tantos outros hipnotizados pelo horizonte. Tenho dias de verbo transitivo, procuro algo, procuro alguém. Se pudesse, transformava cada imagem vista em palavra dita. Para mim, vale mais a palavra vivida que mil vidas imaginadas numa imagem.
June 2011
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Pensar
Penso nas precipitações vividas. Nas partidas precipitadas. Nas idas ainda no princípio. Todas aquelas que colocaram-me à beira do precipício.
Penso nas buscas sofridas. Na necessidade do sofrimento que ensina. No deslize de sofrer por um amor que não desafia. Tampouco desafina.
Penso nos outros “eus”. Na herança do poeta fingidor que tinha tantos dele. No soneto ainda adolescente. Com seus...
April 2011
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Amores enlatados, in natura, perecíveis ou para...
Cereal matinal abraçado com duas caixas de leite integral. “São Paulo, 6h30. Repita. Seis e meia”. Saltou da cama com o coração tentando escapar-lhe pela boca. Ela não estava. Procurou pela casa por um recado. Verificou a porta da geladeira, o celular e a caixa de e-mail. Nada. Só um delicado e quase imperceptível perfume com acordes de pimenta e madeira. Tomou café e saiu apressado. Na portaria,...
December 2010
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10 segundos
A certo ponto do caminho, parou. Sentou. Respirou. Bateu o pó. Tirou as pedras do sapato que incomodavam e começavam a calejar. Sim, é possível calejar o que já está calejado. Depois de analisar os calos, calou por um instante. Ficou em silêncio, mas ainda ouvia sua consciência. Boca seca. Roupa empoeirada. Calos da vida. A vida em modo automático. Fitou o caminho adiante. Havia uma curva, nada à...
Ecos
E porque gosto tanto de você, ouço seu silêncio.
Meias palavras que seriam suficientes,
se eu não gostasse tanto de você.
E porque gosto de você mais do que eu devia, fico em silêncio.
Com palavras suficientes para me convencer
de que ainda é menos do que você precisa.
“Sozinho, consigo ser eu. Ao seu lado, sou só...
Do diário de um ultraromântico
São Paulo, 09 de setembro de 1849 - na teoria, a prática da vida é simples, mas repetitiva. Olhares, suspiros, toques, palavras, boca, língua, sexo, culpa, crise, crime, fuga, inferno, desorientação, desprezo, embriaguez, olhares, suspiros, toques, meias palavras, sexo sem culpa, céu, absolvição, tentativa, erro, reflexão, epifania, egocentrismo, armadilha, olhares, suspiros, toques,...
November 2010
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O porque do por que
Palavras não justificam tal fuga. Reflito o que sinto. E não retiro o que foi dito. Vivo um pedacinho de cada vida que passa por mim. Sou assim. Tenho uma coleção desorganizada de sentimentos espalhados pela casa. Quem dera crer em palavras despretenciosas. Quem dera ter outra opção. Quem dera ser o que não sou. Quimera ou milagre? A cada noite que termino embriagado de mim mesmo, acabo carregado...
Manicômio pessoal
Ensaio para loucura desde meu primeiro beijo. Meus sintomas são quase sempre os mesmos: insônia, alienação, torpor e arritmia cardíaca. Coração descompassado e mente desorientada. Flertar com a insanidade me levou a diferentes manicômios pessoais. Como na vez que acreditei viver uma vida que não era a minha. Fui dignosticado com esquizofrenia crônica. Mas era passageira. Porque loucura de amor é...
A ditadura do gostar de alguém
O silêncio é o mais adequado para o momento. Guardo a placa de protesto, rabiscada com um “eu gosto de você” pouco convincente. Sinto-me um clandestino de mim, reprimido por amores pouco democráticos. Um impulso, uma lata de spray e o recado escorre no muro em frente à sua casa: “abaixo à solidão”. Acredite, minhas atitudes podem até remeter a ideais socialista, mas não tenho intenção de dividir...
October 2010
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O poeta que se apaixonou pela contadora de...
Em frente? Frente ao apego iminente, um desapego consciente Frente ao afeto procurado, os desafetos do passado. Frente ao sorriso carinhoso, um olhar desprentencioso. Frente a sensações inesperadas, algumas emoções resignadas. Frente a ideia de viver amando, evitava morrer de amores. Enfrente! O apego era uma afronta e ameaçava sua consciência. Algo que desorganizava as ideias e limitava sua...
August 2010
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Pensar é transgredir (por Lya Luft)
Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos. Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver...
July 2010
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Da Biografia de José Saramago
Trecho de uma carta enviada por uma leitora da cidade do Porto ao escritor José Saramago na época da polêmica sobre o lançamento do livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo: “Acredito em Deus (sou protestante), voto sempre no PSD e no dia 16 de Março um exame médico confirmou que a minha Mãe ia morrer. O mundo virou-se de pernas para o ar e as certezas absolutas deixaram de fazer ...
Chás (via @camposdalton)
COMIDA A argentina Inés Berton lança no Brasil os chás que fascinaram o cantor Lenny Kravitz e o diretor Luc Besson Chalosofia
CRISTIANE LEONEL DA REPORTAGEM LOCAL ALCINO LEITE NETO EDITOR DE DOMINGO O que há em comum entre o rei da Espanha, Juan Carlos 2º, o dalai-lama, o diretor Luc Besson, o cantor Lenny Kravitz e a “popstar” Shakira? Todos são fregueses da argentina Inés...
June 2010
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Caverna do Jedi →
May 2010
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2h44 am
Ela queria ser a noite. Assustadora para os que vivem na escuridão, mas dormem com o abajur ligado. Encantadora para os olhos que brilham, porém estão cegos de paixão. Então, ela pensava como deve ser difícil ser a noite. Anotar pedidos feitos a cometas. Cobrir a lua com queijo. Desarmar santos e domesticar dragões. Inspirar gatos pardos que procuram salmão em latas de sardinhas. Ser o...
April 2010
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Parte 2
Ele escreve sobre ela. Lembra dos seus olhos. Sente seu perfume invadir o ambiente. Sala escura. Luz de vela. Melancolia na vitrola. Ele pensa nela. Tenta afastar a raiva. Procura por saídas. Todas trancadas. Respira. Expira. Mas não tem inspiração para nada. Fecha os olhos. Apaga a vela. Vai dormir. No papel, história parada no meio.
Desencontros noturnos…
Ela vira a página. Livro novo. Pão...
Parte 1
Ele gostava da ficção. Coisas inventadas, fantasiadas. Nunca foi profeta, tampouco era poeta. Apenas um observador que via tudo do lado de fora. Jogava com as sensações alheias. Um cronista do sonho de outrem. Brincava com as palavras. Sentia-se seguro. Protegido por erros que outros cometiam. Livre do acaso. Escondido do inesperado. Em busca da certeza de uma vida cheia de incertezas.
Uma noite...
Mentir para quê? O esquema é se teletransportar…
March 2010
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Óptica
Nem toda lua é cheia. Nem toda lágrima é dor. Nem todo beijo é amor. Nem toda obra é acaso. Nem todo fim é triste. Nem todo gosto é amargo. Nem todo adeus é eterno. Nem todo olhar é desprezo. Nem todo roubo é crime. Nem todo sonho é ilusão. Nem todo conto é música. Nem toda noite é fria. Nem todo céu é cinza. Nem toda manhã é dúvida. Nem todo poeta é solidão. Nem toda paixão é...
A solidão por Chico Buarque
Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear …. isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar… isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos… isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos...
Interrogação
Sou eu que passo por outras vidas ou são outras vidas que passam por mim? Sou eu que deixo pedaços pelo caminho ou é o caminho que toma para si meus pedaços? Sou eu ou são os outros?
Para o homem da areia
Sonhei em inglês. Acordei sem entender nada.
Sonhei em claro. Acordei no meio da escuridão.
Sonhei que você partia. Acordei com o coração partido.
Sonhei que você me beijava. Acordei e não conseguia respirar.
Sonhei que te esquecia. Acordei e não lembrava o que era o amor.
Sonhei que te deixava. Acordei e não tinha para onde ir.
Simplesmente sonhei. Quando acordei, era só fantasia.
Toda vez que me apaixono por você
Toda vez que me apaixono por você, deixo o coração pensar por mim.
Vivo de impulsos.
Porque toda vez que me apaixono por você, a vida pulsa rara.
Arritmia de coração cansado, que teima em bater depois de tanto apanhar.
É assim que me apaixono por você. Muitas vezes. Todas as vezes.
Toda vez que me apaixono por você, deixo escapar as palavras.
Vivo páginas em branco.
Porque toda vez que me...
A vida entre o preceito do caos e o conceito da...
Parte I - da calmaria das palavras surge o preceito do caos.
O furor se faz em silêncio.
Mente sem saída.
Guerra não declarada.
Vitória do fracassado.
Lá vai ele na estrada.
Passos descompassados.
Respiração acelerada.
Pulso sem sentido.
Coração partido.
Uma salva qualquer.
Salve o soldado com seu fardo.
Parte II - da tempestade do sentir surge o conceito da ordem.
O olhar silência...
November 2009
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O dia em 24...palavras
Sonho. Sono. Alarme. Soneca. Pulo. Banho. Café. Jornal. Trânsito. Concreto. E-mail. Cliente. Paciência. Fome. Sono. Celular. Planilha. Brinde. Surpresa. Sorriso. Beijo. Noite. Lua. Sonho.
Na escuridão, tudo fica mais claro. Surge como uma luz, quase uma epifania. Somos tão frágeis e dependentes de tantas coisas. Quando vem o apagão, a comunidade se inflama, desorientada, sem referência. E busca por culpados. Pelo arquivo perdido no computador. Pelo sorvete derretido na geladeira. Pelo elevador desligado. Pelo coração que parou de bater na UTI. Mas, no escuro não dá para achar nada....
Abrigo
Abrigo sonhos. Também me obrigo a medos.
Abrigo sorrisos. De vez em quando, me obrigo a tempestades
Abrigo pecados. Em feriados santos, me obrigo a redenções.
Abrigo músicas. Em algumas noites, me obrigo ao silêncio.
Abrigo inocência. No espelho, me obrigo a crescer.
Abrigo fantasmas. E quando eles tem fome, me obrigo a negar.
Abrigos palavras. E quando elas fogem, me obrigo a sentir.
...
October 2009
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Vila dos Milagres
É um lugar simples.
Com pisos de madeira surrada.
E pedras não polidas na calçada.
Azulejo mouro na parede manchada.
E na cozinha, fogão com lenha queimada.
É, um lugar simples.
É um lugar santo.
Sem promessas de alma reincidente.
E de cotidiano pouco penitente.
O mal é apenas referência latente.
E o bem impera permanente.
É, um lugar santo.
É um lugar de milagres.
Desses que...