Sujeito simples, parágrafo, exclamação. |
Palavras alinhadas. Uma depois da outra. Com ou sem sentido. |
Ele gostava da ficção. Coisas inventadas, fantasiadas. Nunca foi profeta, tampouco era poeta. Apenas um observador que via tudo do lado de fora. Jogava com as sensações alheias. Um cronista do sonho de outrem. Brincava com as palavras. Sentia-se seguro. Protegido por erros que outros cometiam. Livre do acaso. Escondido do inesperado. Em busca da certeza de uma vida cheia de incertezas.
Uma noite se encontraram…
Ela odiava fantasias. Gostava da realidade, seminua e provocante. Vivia antes, observava depois. Era movida a sensações. Guiada por suas emoções. Escrevia suas próprias histórias. Rasgava a folha e amassava. Na outra linha, parágrafo, travessão. Os sonhos duravam apenas a noite necessária para não serem esquecidos no dia seguinte. Colecionava medos. Escancarava o coração. Trocava por migalhas de carinho. Tinha fome amor.
Outro dia se falaram…
- Que tal ler um livro?
- Prefiro escrever uma história.
- Sobre você?
- Sobre você.
- Não seria uma história com um bom final.
- Não será uma história se não tiver um começo.
- Pensando num tema.
- Eu tenho um, vem cá.
Uma vez brigaram…
- Por que tudo tem que ser tão programado para você?
- Por que a vida precisa ser tão descontrolada para você?
- Você deixa de viver hoje, pensando no amanhã.
- E você vive como se fugisse do seu passado.
- Você não conhece nada da minha história.
- De novo essa história.
Choro. Culpa. Silêncio na madrugada.