Sujeito simples, parágrafo, exclamação. |
Palavras alinhadas. Uma depois da outra. Com ou sem sentido. |
Ela queria ser a noite. Assustadora para os que vivem na escuridão, mas dormem com o abajur ligado. Encantadora para os olhos que brilham, porém estão cegos de paixão. Então, ela pensava como deve ser difícil ser a noite. Anotar pedidos feitos a cometas. Cobrir a lua com queijo. Desarmar santos e domesticar dragões. Inspirar gatos pardos que procuram salmão em latas de sardinhas. Ser o sustento de gatas abandonadas nas esquinas da vida. Mesmo assim, a ideia de ser como a noite a consumia. Ser o palco para romances recém despertados numa despretensiosa troca de olhares. Ou a apoteose trágica de cotidianos desgastados por expectativas exageradas. O que ela não sabia é que sempre fora como a noite. Assustadora com olhos brilhantes que cegam de paixão. Encantadora a ponto de desarmar santos e domesticar dragões. Boa noite. Linda noite.